domingo, 22 de maio de 2011

Grades no fim do túnel

Há, nessas lamúrias cheias de clichê e de mimimis que todos estão acostumados a ver, mais um, um pouco escondido sob as palavras. Há uma necessidade gritante de ser aceito, de exercer alguma função aparentemente útil para a sociedade, de ser alguém além do corpo, de ser um nome. Há a necessidade, além de se mexer, de conseguir continuar andando sem se deparar com grades ou com monstros. Porque não é que eu não enxergue a luz no fim do túnel, pelo contrário. O que mais dói é conseguir enxergar a luz e se sentir preso por grades invisíveis.

Pedra?

E virar pedra não adianta de nada.
O que acontece é que você vira pedra,
E então você para. Estático.
Sabe, deixar de crescer, deixar de andar?
Você desaprende.
Desaprende a andar, falar, sentir, tudo.
Mas dentro da pedra o sangue continua a bombear.
Só que começa a doer, porque é pedra.

Quem não se mexe, não sente as grades que o aprisionam

Cansei de não fazer nada.
Cansei de ficar inundado nessa poça de água parada.
Não quero que chova.
Eu quero correr.
Perdi tudo
que eu tinha
Aquela energia pra viver
E agora acordo cansado
Durmo acordado
E deito de lado
E fico pensando
Já são seis horas
E eu não fiz nada
E continuo
com essa vida cansada
Cansado de não fazer nada.